Direitos, igualdade, empoderamento, uma ideia em movimento: mulheres no contexto do ano de 2026

A Editora UnB se solidariza com a luta feminista e anseia pelo ideal histórico
de emancipar a condição da desigualdade entre homens e mulheres 

Inês Ulhôa

Dia Internacional da Mulher - uma história de luta

8 de março, uma data a se comemorar? Os dias atuais demonstram que se torna cada vez mais difícil essa possibilidade. Portanto, uma data para reafirmar a luta das mulheres frente à desigualdade de gênero, que ainda persiste e ameaça a liberdade e as conquistas sociais. 

Esse cenário se torna mais assustador quando em pleno século 21, com tantos avanços tecnológicos e sociais, um estudo global, realizado pela Ipsos e pelo Instituto Global para a Liderança das Mulheres, da King’s College London, revela que um terço dos homens da chamada “Geração Z” (nascidos entre 1996 e 2010) consideram que uma esposa deve “sempre obedecer” ao marido. Esses jovens rapazes também acham que o homem deve ter a palavra final e demonstram ter problemas com o fato de mulheres serem independentes e ganharem mais. A pesquisa abrangeu opiniões de mais de 23 mil pessoas em 29 países, incluindo o Brasil. 

Seguimos na trincheira à procura do reconhecimento de que somos iguais no trabalho, na vida social, na responsabilidade com a educação de nossos filhos e filhas. Enquanto isso, mulheres seguem sendo violentadas, agredidas física e psicologicamente e mortas. 

Neste ano, principalmente, é preciso redobrar as forças e a união das mulheres para o enfrentamento no período eleitoral em que muitas mulheres serão candidatas e expostas ao crivo machista e preconceituoso que vem se acentuando com as posições crescentes de uma extrema direita, ultraconservadora, virulenta e antidemocrática, circunstanciada no mapa ideológico pós eleições de 2018, que rompe com o pacto democrático da Constituição soberana de 1988. 

Nosso desejo por transformações sociais estará acompanhando o processo eleitoral, nos opondo ao avanço de uma ideologia que desempenha papéis diferenciados ao que aspiramos para as nossas vidas. Nossos sonhos estão condicionados a uma concepção de direitos humanos como expressão das lutas por dignidade e que têm suas raízes no projeto das possibilidades de autonomia para dar sentido à nossa experiência e àquilo que somos ou àquilo que podemos nos tornar a partir de uma gramática política feminista comum. 

Ser mulher, no Brasil de hoje, diante dos urgentes problemas sociais e políticos, é ter a compreensão do que está em causa, ou seja, a dignidade no contexto da existência social e individual, com base nas condições concretas que cada uma de nós tem de construir, com liberdade sua própria história, um lugar de reconhecimento mútuo. Por isso, nessa comemoração não cabe flores, perfumes, presentes…queremos ser vistas e ouvidas pelo que somos: guerreiras. Enquanto o patriarcado, o capitalismo em suas formas alienadas e opressoras de vida e o racismo representam a soma de múltiplas formas de violência, entendemos a necessidade de desnaturalizar a condição em que vivem as mulheres oprimidas, principalmente no contexto de alianças político-religiosas em que o “ódio às mulheres” ficou recorrente. Nunca se matou tanto! Os crimes de feminicídio aumentam assustadoramente, numa tentativa de controle dos corpos das mulheres e de sua autonomia. 

Portanto, falar em libertação das mulheres, implica reconhecer o sentido e a força dos argumentos que se encontram no desejo correspondente da construção de outras realidades, na busca permanente da utopia e no reconhecimento das razões pelas quais segue presente o propósito libertador para a superação das desigualdades de gênero, da superação da pobreza e da exclusão, lembrando que o caminho político deve ser ainda ser entendido como a dimensão da esperança, a dimensão dos ideais. 

 

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