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Livro da Editora UnB sobre feminicídio é finalista do Prêmio ABEU

Obra póstuma de Lourdes Maria Bandeira analisa o enquadramento midiático dos feminicídios no Brasil e concorre na categoria Ciências Sociais

A Editora Universidade de Brasília é finalista da 11ª edição do Prêmio ABEU com a obra “Crimes de feminicídio no enquadramento midiático: o que não é nominado não existe (Brasil, 2015-2018)”, da socióloga e professora emérita da UnB Lourdes Maria Bandeira. O livro, publicado em 2024, concorre na categoria Ciências Sociais. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 25 de novembro, no auditório da Academia Paulista de Letras, em São Paulo (SP).

Resultado de uma pesquisa de pós-doutorado realizada na Universidade do Porto e concluída pouco antes do falecimento da autora, em 2021, a obra analisa como a mídia brasileira retrata os assassinatos de mulheres, questionando se esses crimes são reconhecidos como feminicídios ou tratados como “crimes passionais”.

O estudo evidencia que a forma como a imprensa enquadra essas violências influencia diretamente a percepção social sobre o problema. Segundo a autora, ao não nomear corretamente os crimes, a mídia silencia a dimensão estrutural da violência de gênero, transformando um drama coletivo em casos isolados e reforçando o ciclo de invisibilidade e impunidade.

A pesquisa abrange o período de 2015 a 2018, quando entrou em vigor a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), que classificou o feminicídio como crime hediondo no Brasil.

Sobre a autora
Lourdes Maria Bandeira foi uma das mais importantes pesquisadoras brasileiras sobre gênero e violência contra a mulher. Atuou na Universidade Federal da Paraíba (1977–1991) e, a partir da década de 1990, no Departamento de Sociologia da UnB, onde se tornou professora titular em 2005. Coordenou o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Mulher (NEPeM) e integrou o Conselho de Direitos Humanos da UnB. Entre 2008 e 2015, exerceu cargos de destaque na Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, incluindo o de secretária executiva. Também integrou o Conselho Editorial da Editora UnB (2017–2018). Faleceu em 12 de setembro de 2021, deixando um legado notável de pesquisa, militância e compromisso com a justiça de gênero no Brasil.

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